segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Apogēu. Apógeios.

Deleuze defendia que o verdadeiro charme capta-se na demência. Que todos nós somos meio dementes. 

Tudo está escuro.

Na mente dela o vento sopra forte, solta-lhe o cabelo, força-a a fechar os olhos; mas ela não se sente obrigada. O cinzento nevoento do céu e do ar funde-se com o verde escuro daquele ambiente cru, despido de encantamentos artificiais. Anastasia senta-se no chão, põe as mãos à cabeça, auxilia o mundo que naquele momento, naquele preciso momento, apenas tem em si a tarefa de a despentear, desarrumar, descontrolar, enfurecer, fazê-la estremecer de, ah p’ra quê justificar. 

Aquilo era tudo o que ela sempre quis. 

Deixando-se levar, não sabe do tempo, do dia, do ano, do século. Nem quer saber. Para ela existe o que está ali, o que ela sente, toca, vive, experiencia com o coração que bate aceleradamente e a adrenalina que não a consome. Alimenta. Está sozinha mas nunca se sentiu tão acompanhada. Quem a conhecia melhor que ninguém não a conhecia o suficiente. Jamais. Sinais de satisfação, mais do que contentamento, êxtase; menos do que dor, desprezo; tanto quanto medo, coragem — criava-se a fusão. 

Que a deixava no topo. 

No topo da base de si.

No seu carpe diem obscuro. O auge. 

Apogēu. Apógeios.

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