domingo, 11 de fevereiro de 2018

Todo eu . . . sou?

"Todo eu sou chuva.", lembro-me de pensar. Estavas no carro. Era de noite. Chovia e a sombra das gotas tinham-te como pano de fundo. Era como se estivesse um projetor apontado a ti com mil e uma gotinhas de chuva a preencherem os teus vazios. Vazios que eu nunca conseguiria preencher tal como agora podes tu sentir na pele - se fosse só na pele... Não me admira nada que gostes tanto de chuva. Da chuva que te compreende, que te faz sentir que é justo chorar. Que é justo morrer de amor, outras e tantas vezes de ansiedade também e voltar a viver. Ainda que com tempestades pelo meio. . . . Guardei apenas a primeira frase deste texto por alguns meses antes de voltar a escrever. Engraçado como com o tempo as palavras vêm. Ou pelo menos outras perspetivas que no presente já tornado passado nos permitem... Continuar a viver. Ou sobreviver. Será que pessoas como nós conseguem intimamente fazer mais do isso? Sobreviver? Espero que sim. Espero que sejamos capazes de continuar a viver. "Todo eu sou chuva"... Mas todo eu procura amar o Sol também.

domingo, 28 de janeiro de 2018

S I L Ê N C I O S

Está tudo tão silencioso. Esta relação angustiante com o silêncio. Por vezes é tudo o que queremos. Noutras, parece que nos consome. Até que ponto será necessário chegar para não se querer chegar a mais lado nenhum? Quando é que a linha se torna tão ténue... É uma questão de segundos? É uma questão de meses, anos? Uma questão de tudo? Uma questão de nada? Teremos nós noção do quanto alguém consegue suportar antes de sucumbir? Teremos nós noção disso em nós próprios? Tantas perguntas e tão poucas respostas. Muitas vezes, o nada. Muitas vezes, o tudo. Palavras que se dizem e não se dizem no percurso do dizer. "Coisas" que se sentem e não se sentem no percurso do sentir. Sentir muito, não sentir nada. Extremos perigosos.

domingo, 10 de dezembro de 2017

Veronica

Penso que muito se baseia na experiência. Na experiência de conhecer, na experiência de sentir. E fazer sentir. Não me quereria cingir ao medo de tentar pelo simples medo de perder. É que, mesmo perdendo, acabo sempre por ganhar. Senti um pouco mais, vivi; conheci-me um pouco mais, existi. Penso que muito se baseia na experiência. De poder conhecer mais e mais, perceber mais, sentir mais o que o outro vive, o que pensa, o que sente. Se eu perderia o brilho nos seus olhos ou a expressão de deslumbramento, os calores, os arrepios? Não, já não me imagino sem isso. Já não me imagino sem tudo isso. Independentemente do resultado. Sinto o calor de quem sente, emano o que de mim emana naturalmente. E não posso nem consigo ser ingrata para com o que já foi. Sou eu. Fui eu. Em cada parte um pedaço do meu céu.


terça-feira, 3 de outubro de 2017

Matiz

Olho fixamente a parede branca à minha frente. Parece que também ela está a olhar para mim. Será que se eu lhe falar, ela responde? Hey. Hey. Hey hey hey hey hey. Heyyyyyy! Na minha cabeça, atiro-lhe baldes e baldes de tinta vermelha, preta e luto conta ela, envolvo-me nela. Mas ela nunca se envolve em mim. Olho fixamente a parede branca à minha frente. Gostava que ela me olhasse também. Mas ela não olha. Não olha, não olha, não olha! Olha para mim. Olha para mim. Olha para mim. Olha para mim, olha para mim! Olha para mim! Nunca olha. As lágrimas já se me começam a formar nos olhos. Há muito tempo que já vivem na alma. Começam a aparecer as pessoas. As pessoas à minha volta. Não conheço. Não as conheço. Não conheço estas pessoas. Não conheço estas pessoas. Não conheço estas pessoas! Agarro a tinta. Agarro-me à tinta. Protejo-me na tinta, com a tinta, da tinta. Protejo-me da tinta. A minha tinta. A minha tinta preta vermelha sem cor. Tinto. Tudo tinto, agora está tudo tinto. A parede. As pessoas. Agora está tudo tinto. Agora somos parte da mesma matiz.

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Feridas

Uma ferida é uma interrupção na continuidade de um tecido corpóreo. Tal interrupção pode ser provocada por algum trauma, ou ainda ser desencadeada por uma afecção que acione as defesas do organismo.

Ser real com as minhas feridas. Dar-lhes a dignidade que merecem. Era esse o meu sonho. Descobri-las, invadi-las, desconstruí-las. Vivê-las sem espetadores. Aliás... Com espetadores e com a liberdade que merecem. Com a liberdade que mereço. Com o que eu quiser, com o que elas precisarem. Ser real com as minhas feridas. Só quero poder ser real com as minhas feridas. Descobri-las, invadi-las, desconstruí-las. Conhecê-las. Fazer amor com elas. Fazer amor com as minhas feridas. Levá-las ao olho do furacão para poder trazê-las de volta ao pôr-do-sol, à beleza da Lua e do céu estrelado. Aceitar as minhas feridas. Ouvi-las, percebê-las, senti-las. Dar-lhes a casa que merecem, já que foi escolha delas viverem em mim. Deixem-me ser real com as minhas feridas. É esse o meu sonho. Uma conversa franca com as minhas feridas. As minhas feridas: as minhas feridas. Genuínas, ativas, decididas. Queria eu ser tão real com elas como são elas comigo.

terça-feira, 26 de setembro de 2017

Tempestade

Disse-me "tchau" tratando-me pelo nome e nunca mais voltou. Foi um beijo, um único beijo, despediu-se como se nos fôssemos ver no dia seguinte e nunca mais voltou. Talvez deliberadamente, talvez porque se distraiu, talvez porque morreu... Não sei... Simplesmente, porque ela nunca mais voltou. E, não sabendo para onde foi, lá a segui à minha maneira. Não sabendo se morreu, morri um pouco com ela.

Sempre foi um ser peculiar. Com a passagem dos anos, do tempo, só aprendeu a abraçar essa sua parte inevitável. Talvez por ser inevitável, fosse tão mortífera. E talvez por ser tão tóxica, a tenha ela abraçado. Porque não podia ser de outra forma. E era um tóxico tão doce, tão ingenuamente marcado pela doçura, que... Talvez fosse por isso que se tornava impossível não morrer. 

De todas as vezes que a encontrei, senti aquilo que sentem as pessoas perdidamente apaixonadas. Perdido... E tão preenchido... Simultaneamente. Era como se, perfeitamente consciente, escolhesse nadar para fora de pé. Ir para alto mar, ciente da tempestade alheia à minha força, alheia à minha vontade, mais uma vez impossível - sempre impossível - de controlar. Ela era uma tempestade. E se vive, ainda o é. 

sábado, 23 de setembro de 2017

Não

Perguntei-lhe se sabia o que estava a fazer. Ela disse que não. Nunca soube. Acabava sempre perdida num espaço qualquer, espaço sem espaço com espaço qualquer algures físico, emotivo, aéreo... Espacial. Espaço espacial. Ela disse que não, que não sabia. Não sabia o que queria ou o que devia querer. O que devia fazer. Ou o que esperar sequer. Cada dia algo novo, alguém novo, chegadas e partidas inesperadas mas necessárias, distâncias proximidades barreiras erguidas barreiras quebradas barreiras atrás de barreiras liberdades vividas liberdades sentidas liberdades alcançadas e eu perguntei-lhe se ela sabia o que estava a fazer. E ela disse que não. Que não sabia, nunca soube. E no fundo sempre soube, sem saber, sabendo no fundo. E então, voltou à carga. À carga da emoção sensação toque fuga, toca e foge, foge e toca, toca sempre... Toca sempre de mais, nunca de menos. Arriscando sem arriscar a fundo. Nesse fundo sem fundo sem fim nem mundo concreto - abstrato, sempre abstrato, tão concreto na sua abstração - tão concreto na mente dela... Se ao menos não fosse a mente dela aérea, abstrata também...

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Música. Família. Amor. Amizade. Escrita. A procura por mim mesma. Vida. E é a isto que se resume. Sintam-se à vontade por aqui & enjoy. :)

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