As palavras fervilham: correm, percorrem, tão reais como o sangue nas minhas veias: percorrem, correm, tão ágeis como os impulsos elétricos no meu cérebro. Vivo cada momento, cada frase; ouço cada voz, visualizo cada cenário como se já de mim fizesse parte: e faz. Revivo cada emoção, sensação, toque, cheiro, textura; tenho em mim cada olhar, cada expressão, cada decisão que poderia mudar tudo: e mudou. Pondero delicadamente a abordagem mas esta já não é minha: é delas: cara a cara, voz a voz, carne a carne, mente a mente, corpo a corpo, vida a vida: vida a vida. As palavras fervilham: correm, percorrem, tão reais como o sangue nas minhas veias: percorrem, correm, tão ágeis como os impulsos elétricos no meu cérebro. E nesse momento… Já não sou eu. E não sendo eu, sou tudo.
terça-feira, 9 de maio de 2017
domingo, 30 de abril de 2017
Como?
É tão fácil perdermo-nos na rotina... No stress... Nas tarefas, no que os outros querem que nós façamos, no tic-tac dos relógios, nas notificações constantes; nos números que aparecem nas pautas, nas palavras, nas regras que temos de saber, que temos de escrever, que temos de ler, que temos de aplicar...
É tão fácil perdermo-nos no que outras pessoas decidem por nós, definem por nós, esperam de nós. É tão fácil perdermo-nos no que outros que muitas vezes sabem pouco mais do que o nosso primeiro (e com sorte último) nome, que muitas vezes sabem pouco mais do que o número que vêem numa lista seja ela telefónica, académica... É tão fácil deixarmos que essas pessoas influenciem aquilo que sentimos, aquilo que fazemos, aquilo que supostamente queremos, quando... No fundo, não é nada disso... Não é nada assim.
Os dias voam, os anos passam... E depois? Depois fica o quê? Acabamos o curso do qual 50% da teoria é esquecida, (com sorte!) arranjamos emprego na área que tanto queríamos, (com um pouco "menos" de sorte, arranjamos um trabalho)... As pessoas que antes tanto afetavam o nosso presente tornam-se parte do passado, continuam a fazer a vida delas e vêm outras: o patrão que um dia pode decidir reduzir staff, alguém que conhecemos numa suposta qualquer atividade de escape à violência do dia-a-dia que decide gritar connosco... Etc, etc. E assim, num ciclo vicioso, enganamo-nos a nós próprios, resignamo-nos e aceitamos. Aceitamos o inaceitável.
Aceitamos o inaceitável.
Vamos todos morrer. Será que já pensámos nisso... Realmente? Será que pensamos nisso?
Aceitamos o inaceitável!
Deixamos de dizer "não", deixamos de dizer "basta".
Mas.. E depois?
Como é que reencontramos quem nós somos?...
quinta-feira, 9 de março de 2017
Bagage
Há toda uma bagagem que num momento ou outro da nossa vida vem e nos arrebata, envolve num qualquer estado sem palavra, sem meio, sem ato que se defina. Essa bagagem, a nossa bagagem, vem ao de cima, impõe-se em cadeia: de mansinho e depois violentamente: como se precisássemos dela para acordar: para sobreviver.
E precisamos.
Por vezes não sei o porquê, por vezes penso que sei. Por fim, prefiro não procurar saber. Aceito isso que se acumula e acumulará ao longo da vida e assim se tornará mais leve. Como uma qualquer esperança imortal de alcançar sabedoria. A sabedoria em estado de espírito. Um estado de espírito em sabedoria.
Um estado de espírito.
O meu estado de espírito.
O meu eu, sintonia dissimulada.
Há toda uma bagagem que num momento ou outro da nossa vida vem e nos arrebata, envolve num qualquer estado sem palavra, sem meio, sem ato que se defina. Vem assim, numa noite quente, numa noite fria, num fim de tarde ao pé do rio, numa manhã confortável; entre uma multidão de pessoas, num compasso de espera; acompanhada por um orvalho, acompanhada por um pôr-do-sol.
Acompanhada por nós. Acompanhada por mim; acompanhada por ti.
Nunca sozinha.
Singelamente acompanhada. Violentamente acompanhada. Extasiada.
Em linhas difusas e ainda assim tão claras... Marcadamente delineadas por memórias, sensações, emoções...
Viva.
Bagagem viva.
Bagagem.
Bagage.
Por vezes, qualifica-nos.
Noutras, apodera-se de nós.
Mas está pronta. Sempre pronta. A ir connosco em batalha. A cada batalha.
sexta-feira, 25 de novembro de 2016
Eternal Sunshine of the Spotless Mind
São quase três da manhã. Acabei de ver um filme. Logo eu que raramente o faço, porque não tenho paciência. Para mim, quase todos os filmes são longos. Especialmente quando estou contigo. Eternal Sunshine of the Spotless Mind. Basicamente, é um filme que fala sobre fim de relacionamentos e apagar memórias. Mas claro, é bem mais do que isso. É um filme que nos mostra a importância das memórias que temos. Do que vivemos, do que sentimos. Dos erros que cometemos. Do quão importante somos na vida do outro, do impacto que temos. Da força do amor. Felizmente, o coração não consegue esquecer o que o cérebro atira lá para o fundo. Clementine: I wish you had stayed. Joel: I wish I'd stayed too. Quantas vezes na vida serão necessárias desejarmos ter ficado para perceber que efetivamente nunca devíamos ter partido? Quantas vezes na vida serão necessárias complicar para perceber que a resposta era simples? Quantas vezes na vida vamos deixar o amor passar-nos ao lado?
Joel: NOW I wish I had stayed. I wish I had done a lot of things. I wish I had... I wish I had stayed. I do. Clementine: Joely? What if you stayed this time?
domingo, 13 de novembro de 2016
Uma só teia - diferentes perspetivas
Tu vais aprender a viver com as saudades. Com a distância. Com os súbitos apertos no estômago, no coração e a vontade súbita de enviar uma mensagem. De ligar. De tê-la perto. Tu vais aprender a viver com as saudades. Com o podia ter sido mas não foi. Vais aprender a viver. Vais viver. Vais ultrapassar. Tu vais aprender a viver com o silêncio. Com a indecisão de quem não sabe o que sente, o que pensa ou o que quer. Ou com a certeza de quem o sabe e ainda assim escolhe prosseguir sem ti. Vais aprender a viver com as escolhas dos outros. Vais aprender a viver com o que não podes controlar, depois de tudo o que pudeste fazer. Tu vais aprender a viver com as saudades. Com a distância. Com os súbitos apertos no estômago, no coração. E vais conseguir lutar contra isso.
Até que não tenhas de lutar mais.
Até que simplesmente seja uma experiência que te trouxe mais sabedoria.
E consigas novamente encará-la com paz.
domingo, 6 de novembro de 2016
O acaso mais bonito de uma vida
Não se pode lutar contra o amor. Contra o que está para ser ou o que não está para ser. Sim, somos detentores do nosso destino e sempre acabaremos por viver as consequências das nossas escolhas. Mas sabem aquelas coincidências que não são coincidências? Não se pode lutar contra o amor. Não dá. Simplesmente. Se duas pessoas estão destinadas a passar na vida uma de outra, mesmo que mais tarde sigam caminhos diferentes (ou não), elas vão encontrar-se. E elas vão marcar. E elas vão fazer a diferença. Seja no que for. Não se pode lutar contra o amor. Não se pode lutar contra a magia do "acaso". Que na minha opinião, não é acaso nenhum. Sejam felizes, meus caros. Sejam felizes enquanto dura e, quando parecer não durar, busquem a felicidade na mesma. E ao fazer isso, sejam felizes. Porque não se pode lutar contra o amor. E se o amor não passar de uma conexão de "acasos", bom... Então são os acasos mais bonitos de uma vida. O amor será sempre o acaso mais bonito de uma vida. Seja qual for o tipo de amor. Dure o tempo que durar.
quarta-feira, 2 de novembro de 2016
Cura
Como... É que nos distanciamos emocional e fisicamente de alguém que... Estando próximo emocional e fisicamente de nós nos faz tão bem? Como é que se colmatam as falhas que criam uma distância que, se resolvida, nos preencheria tanto? Como é que se resolvem os "se's"? Como é que se resolvem todas as perguntas na minha cabeça, no meu coração... Como é que se resolvem estas ínfimas possibilidades dentro de mim que, sendo ínfimas, se tornam infinitas, intermináveis? Como... É que se descobre uma cura para o que anteriormente parecia - e foi - a nossa cura... E mais, como é que se encara isso?
Disseram-me que as memórias felizes dentro de nós se transformam em sorrisos e que as menos boas saem de nós em forma de lágrimas. Mas isso não justificava de todo o meu choro, então... Eu acrescentei que as memórias felizes também nos podem fazer chorar por terem sido tão boas. E pela dor da possibilidade ou realidade destas não se repetirem chocar tão de frente connosco que se torna impossível de ignorar... Impossível de conter.
Ele parecia ser a minha cura. Na verdade, no meio de toda uma série de ambiguidades ao longo do percurso, ele foi a minha cura. A minha paz. E eu desejei - e desejo - continuamente poder ter a força para também ser a sua. Espero também ter sido a sua cura. No que quer que seja. Porque não duvido, de maneira alguma, que ele foi... E ainda poderia ser a minha.
Acerca de mim
- Verónica Silva
- Música. Família. Amor. Amizade. Escrita. A procura por mim mesma. Vida. E é a isto que se resume. Sintam-se à vontade por aqui and enjoy.
Em destaque
a lembrança da presença
felizes as vezes em que me faltou a sorte em que me escapou o controlo as vezes em que o tempo tomou conta e o destino me protegeu felizes a...
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