domingo, 25 de julho de 2021

Universo(s)

Creio que é impossível saber a posição que ocupamos no universo. Seja a que nível for. Seja no universo de que os astrónomos falam, seja no universo que existe em cada pessoa. Eu pelo menos sinto que existe um universo em mim. E para mim, cada pessoa é um universo parte de um universo ainda maior. 

É difícil entender que posição ocupamos no universo do outro, ainda que seja menos difícil perceber que posição o outro ocupa em nós. Não é estranho? Aceitarmos que o outro se entranha em nós mas ser quase impensável acreditar que é possível sermos entranhados no universo de outro alguém. 

Se nada se perde e tudo se transforma, para onde vai tudo aquilo que fica por dizer? Ou por fazer? Será possível que a posição do outro em nós durante uma vida seja o suficiente para manter vivo tudo o que se transforma e não se perde, com base na falta - nascida de uma presença tão valiosa - que esse mesmo outro nos faz? Será um legado? Será por isso que estamos todos ligados? Será disso que o universo é feito no final de contas? 

Creio que é impossível saber a posição que ocupamos no universo. Mas consigo reconhecer, sentir e viver a posição e o impacto que várias outras pessoas ocupam em mim. Que vários outros universos ocupam em mim. E sou grata por isso. Independentemente dos moralismos e das diferenças. Neste universo que existe em mim, no universo que eu sou, aceito que cada ganho e cada perda, cada chegada e cada ida, é no final de contas, transformação. 

Agradecer, agradecer, agradecer. 

E viver.

segunda-feira, 18 de novembro de 2019

Escreverei

Escrevia-me. Escrevia-me imenso. Mesmo quando não me lia, escrevia. Quando não me conseguia ler, escrevia. Hoje não me escrevo tanto. Mas quando escrevo, acabo sempre por me ler de alguma forma. A cada passo, algo se desembrulha em mim como se de repente estivesse viva outra vez. E estou. Será que estou? Espero estar. 
É que antes escrevia-me. Escrevia-me imenso. Mas o antes passa tão rápido e custa-me acompanhar. Por momentos, no dia-a-dia, custa-me acompanhar. No espaço e no tempo, custa-me acompanhar. Mas tento. E continuo. Pouco ou muito, continuo a tentar escrever-me. Talvez um dia me consiga ler também. Até lá... Escreverei.

segunda-feira, 28 de outubro de 2019

Sobre

Fogem-me as palavras mas não me foge o que sinto. Isso está sempre lá, sempre aqui, presente, nunca ausente: fico descontente com o descontentamento: mas ele não sai daqui. Fogem-me as palavras mas o que sinto fica, seja real ou irrealista: é bom que alguma cura exista: se existir que não tarde a chegar. 
Porque tarde já é tarde desde ontem e ainda mais tarde será amanhã: nunca é tarde mas cá parece ser tarde e cada vez mais tarde: mas no fim, espero - na verdade a n s e i o - estará tudo bem.

Sobre a n s i e d a d e

quinta-feira, 27 de junho de 2019

Alguma vez?

De todas as fraquezas do mundo, nunca pensei que esta seria a minha. Tenho a força de todos os dias abrir os olhos e sobreviver ao obrigatório mas fujo de tudo o resto que poderia dar sabor à vida. Porque à vida não lhe reconheço o sabor. Não sei qual é. Não sei qual é o meu sabor. Mas sei que de todas as fraquezas do mundo, nunca pensei que esta seria a minha. Sei que tenho a força de todos os dias abrir os olhos e sobreviver ao obrigatório. Tenho instinto. Mas já não tenho o querer. Falta-me o querer. Quero o que tem de ser, porque mais não sei como fazer.
Para sentir, agarro-me ao que conheço. Ao que o passado me ensinou pela experiência. Muitas vezes preferia não sentir, não existir, nem que por um bocadinho. Mas não é assim que funciona a minha cabeça.


segunda-feira, 25 de março de 2019

Nós

Nós não somos só mais uma face na multidão. Nós nunca seremos só mais uma face na multidão. Há sempre mais. Somos mais. Sempre mais. Um nome, uma história, uma alma, uma luz. Somos seres de pensamento, sentimento, decisão, ação. Podemos escolher viver. Podemos escolher sentir. Podemos escolher agir. Podemos escolher procurar saber e decidir ser quem nós temos todo o potencial para ser. Nós não somos só mais uma face na multidão. Jamais seremos só mais uma face na multidão. Somos mais. Há mais. Sempre mais.


quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

Espadas

O que é que fica? Exatamente? Não sei. Mas sei que nem sempre é bonito aquilo que fica do que já foi. ... Será que é isso que nos mata? O acumular das coisas menos boas? O que o tempo resolve mas nós não? Lança-me as tuas espadas! Se me tivesses lançado tu as tuas espadas... Talvez o sangrar fosse mais agradável. Mas não foi. E o que é que fica? Exatamente? Não sei. Fica isto. E eu sei que isto que ficou não é o que de mais bonito poderia ter ficado. Mas claro está... Nem sempre o que é bonito fica daquilo que já foi. Às vezes fica só isto. Seria melhor que não tivesse ficado nada.

domingo, 15 de abril de 2018

am[d)or

Arranquem de mim esta raiva e frustração antes que se transforme em morte. Transformem-me em amor. Transformem-me em amor. Sou amor, és amor, somos amor. Amor amor amor. Por favor, arranquem de mim esta raiva e frustração antes que se transforme em morte. Antes que a destruição do mundo venha até mim e leve com ela a dignidade de ser eu e não aquilo que querem fazer de mim. Pudesse eu ser conduzida pela Arte e transformaria a minha dor em amor. E sou. Da Arte sou filha. E por isso, posso. E por isso, sou. Sou amor. E a solidão de ser e sentir e viver e querer, este cansaço de querer viver, querer ser sentindo faz parte do caminho. Faz parte deste caminho de por vezes querer matar e por vezes querer morrer. Arranquem de mim esta raiva e frustração antes que se transforme em morte. Que morte, que morte, qual morte? Qual morte, que morte, qual morte? Por vezes há tanta morte e pouca vida mas sem toda a vida também não haveria toda a morte. Então talvez sem esta dor também não poderia eu ser amor. Este amor que sinto, este amor que recebo, este amor que também esperançosamente dou. Amor amor amor. Não há maldade no mundo que vença o amor. Porque o amor é o amor. E é o amor que nos cura. É ele que nos cura. É ele que nos cura... Sou amor, és amor, somos amor. Amor...

Acerca de mim

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Música. Família. Amor. Amizade. Escrita. A procura por mim mesma. Vida. E é a isto que se resume. Sintam-se à vontade por aqui and enjoy.

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